quarta-feira, 28 de julho de 2010

Resenha - O Aventureiro, de Mika Waltari

Ontem terminei de ler O Aventureiro, do escritor finlandês Mika Waltari. O livro trata sobre Michael Pelzfuss, um finlandês bastardo que começa o livro criança logo após a morte dos pais, acolhido por uma curandeira de Abo, uma cidadezinha portuária da Finlândia do início do século XVI. É educado como cristão e sonha em ser padre, mas como seu nascimento ilegítimo impede a ordenação, sua aptidão para os estudos o direcionam para uma carreira acadêmica. Mete-se em apuros durante seus estudos na França, a serviço do rei Cristiano da Dinamarca, é apanhado pelo caos da Reforma Protestante na Alemanha e pelas intrigas da alta política européia, conhece o amor, a morte e o ódio, e jura de todas as formas ir a Roma para ver o papa Clemente cair sob seus pés.

O autor cruza o caminho de Michael com o de várias personalidades reais daquele tempo: o ambicioso rei Cristiano, o misterioso Paracelso, o excêntrico Erasmo de Roterdam, o Imperador Carlos da Alemanha, Martinho Lutero, Thomas Munster, Francisco Pizarro, o rei Francisco da França, e outros.

Waltari tem um estilo irreverente, embora ele não descambe para a comédia. Seu personagen é, digamos, um nerd que leva a vida e as instituições a sério e acredita na palavra e nas boas intenções das pessoas, o que sempre acaba levando-o a situações absurdas, cômicas e inesperadas. Geralmente, seu amigo Andy - um rapaz simples e de força sobrehumana - é quem o salva de grandes enrascadas, e permanece como seu protetor e contraponto ao seu pensamento, menos teórico e mais intuitivo. Mas o livro também traz o leitor para o lado mais escuro da humanidade, descrevendo os sofrimentos e horrores das vítimas da Inquisição e do fanatismo religioso, e a loucura da guerra, cujo auge é o terrível saque a Roma pelos exércitos do Sacro Imperador Carlos V. O enredo é composto desses altos e baixos que se alternam que jogam o espírito do leitor aos extremos de uma página a outra. A preocupação com a ambientação histórica, os hábitos e as regras de etiqueta tornam tudo crível, embora, muitas vezes, Michael (o próprio narrador) pareça mais um historiador detalhando acontecimentos distantes do que alguém registrando suas memórias. Mika Waltari adorava os pequenos épicos da História ocidental, e às vezes seus livros parecem mais veículos para recontá-los a seu próprio modo.

Leitura muito boa, ágil, com picos de tensão e descontração que excitam as emoções do leitor.

2 comentários:

Anônimo disse...

O nome do meu primeiro filho é Rael em homenagem

Fernanda.FDSZ disse...

Comecei lendo O Egípcio no começo do mês, passei pelo Etrusco e agora leio O Romano estou absolutamente encantada pelos romances do Mika Voltari.

 
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